O estudo da doutora em Educação, Salete Silva Farias, revelou que o preconceito de gênero nas escolas, especialmente nas interações entre meninas e meninos, cria um ambiente hostil que desmotiva muitas meninas a seguirem carreiras nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Esse preconceito, embora seja mais comum entre estudantes, pode igualmente partir de professores.
A pesquisa de Salete Farias, que defendeu a sua tese na Universidade Lusófona no dia 11 de setembro de 2024, destacou que o número reduzido de mulheres nas áreas STEM continua sendo um problema sério, prejudicando a diversidade e a inclusão em setores essenciais para o avanço tecnológico e científico. Um dos principais fatores que levam as meninas a se desmotivarem é a convivência com colegas meninos no ambiente escolar.
O estudo, identificou igualmente, barreiras importantes que afetam a participação feminina nas áreas STEM. Além da escola, o ambiente familiar desempenha um papel relevante, já que expectativas tradicionais de gênero muitas vezes impedem a construção de identidades femininas voltadas para carreiras científicas e tecnológicas. A pesquisa mostrou que, embora o apoio dos pais seja importante, nem sempre influencia diretamente a escolha dessas carreiras. As habilidades matemáticas das meninas também são decisivas para que elas sigam ou não essas áreas.
Outro ponto importante da pesquisa foi o impacto positivo das professoras nas áreas STEM. A presença de mulheres docentes serve de inspiração para as alunas, criando um sentimento de pertencimento e motivação. Essa representatividade tem um papel fundamental para reduzir as barreiras mencionadas e incentivar as meninas a continuarem nessas áreas.
Como recomendação, a pesquisa propõe a realização de workshops educativos para professores e estudantes, com o objetivo de combater o preconceito de gênero e criar um ambiente mais inclusivo nas escolas. Essas ações visam promover maior igualdade e aumentar a presença e o sucesso das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia.
Para medir a participação feminina nas áreas STEM em alunas do ensino médio e superior, Salete Farias desenvolveu um questionário inovador baseado em quatro fatores principais: situações de discriminação no ambiente escolar, promoção da representatividade feminina nas áreas STEM, perceção individual/relacional e âmbito familiar. O estudo contou ainda com depoimentos das participantes, que trouxeram profundidade e relevância aos resultados.
O estudo foi realizado no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, Maranhão - Brasil e tem implicações que podem ser aplicadas em outras instituições, tanto no Brasil quanto no exterior. A instituição de ensino autorizou a divulgação do local do estudo, reforçando o seu compromisso com a promoção de mudanças efetivas e a busca por uma maior equidade de gênero em suas práticas acadêmicas. As descobertas oferecem insights importantes para combater a desigualdade de gênero nas áreas STEM, contribuindo para a criação de soluções práticas e eficazes para aumentar a inclusão de mulheres nesses campos.